INFORMAÇÕES

COMO É COMPOSTA UMA EQUIPE DE ENFERMAGEM?

Uma equipe de enfermagem é composta por enfermeiro, técnico de enfermagem e auxiliar de enfermagem, sendo que o enfermeiro é o responsável pela coordenação da equipe.

O enfermeiro é um profissional com formação universitária, responsável pelo planejamento da assistência que será prestada ao paciente. É o responsável pelo gerenciamento dos recursos que envolvem essa assistência.

O técnico de enfermagem é um profissional com formação técnica que necessita ter o 2º grau completo e o curso de técnico de enfermagem.

O auxiliar de enfermagem é um profissional com formação técnica que necessita ter o 1º grau completo e o curso de auxiliar de enfermagem.

Todos os profissionais da equipe de enfermagem, devem ter seu registro no Conselho Regional de Enfermagem (COREN) do estado onde desenvolvem suas atividades profissionais. A lei do exercício que regulamenta suas ações é a Lei nº 7.498, de 25/6/1986.

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CENTRO DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO (CME)

O CME é uma unidade de apoio técnico a todas as unidades assistenciais, é responsável pelo processamento dos artigos, como instrumental, roupas cirúrgicas, etc.Esse processamento envolve: a limpeza, o preparo do artigo, o preparo da carga de esterilização, a esterilização, a guarda e distribuição dos artigos a todas as unidades consumidoras da instituição.

A Resolução RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002 (Brasil, 2002), considera o CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o fornecimento de artigos médico-hospitalares adequadamente processados, proporcionando, assim, condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios.

Assim entendemos que a equipe de enfermagem que trabalha nesse setor, presta uma assistência indireta ao paciente. Esta é tão importante quanto a assistência direta, que é realizada pela equipe de enfermagem que atende ao paciente.

A área física do CME deve permitir não só o estabelecimento de um fluxo contínuo e unidirecional do artigo, evitando o cruzamento de artigos sujos com os limpos e esterilizados, como também evitar que o trabalhador escalado para a área contaminada transite pelas áreas limpas e vice-versa (SOBECC, 2000).

Para o estabelecimento de um fluxo unidirecional, é necessário que haja barreiras físicas entre as áreas: suja (expurgo), limpa (preparo de material e preparo da carga de esterilização) e estéril (retirada de material estéril da autoclave, guarda e distribuição de material estéril) vide esquema abaixo. O acesso de pessoas deve se restringir aos profissionais da área.

Em um CME com fluxo unidirecional é necessário utilizar equipamentos de dupla porta para realizar a passagem dos artigos de uma área para outra.

O quadro de pessoal de um CME deve ser composto por enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e auxiliares administrativos, cujas funções estão descritas nas práticas recomendadas da SOBECC.

Classificação de Spauding:

Artigos Críticos: são artigos ou produtos utilizados em procedimentos invasivos com penetração em pele e mucosas adjacentes, tecidos subepiteliais e sistema vascular, incluindo também todos os artigos ou produtos que estejam diretamente conectados com esses sistemas. A esterilização é o processo básico para que o uso de tais produtos satisfaça os objetivos a que se propõem. Exemplos: agulhas, cateteres intravenosos, implantes, instrumental cirúrgico e soluções injetáveis.

Artigos Semicríticos: são artigos ou produtos que entram em contato com a pele não íntegra, restritos às suas camadas ou aqueles que entram em contato com mucosas íntegras. Requerem desinfecção de alto nível ou esterilização, para ter garantida a qualidade do seu múltiplo uso. Exemplos: sonda nasogástrica e equipamentos respiratórios.

Artigos Não-críticos: são artigos ou produtos destinados ao contato com a pele íntegra e também aqueles que não entram em contato direto com o paciente. Requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível, dependendo do uso a que se destinam ou do último uso realizado. Exemplos: termômetro e comadre.

A Limpeza é o processo que visa à remoção de sujidade visível (orgânicos e inorgânicos) e, por conseguinte, a diminuição da carga microbiana. Portanto, trata-se de uma etapa essencial e indispensável para o reprocessamento de todos os artigos médico-hospitalares, sejam críticos, semicríticos ou não-críticos.

A limpeza sempre deve preceder os processos de desinfecção ou esterilização ( R utala, 1990). Estudos, como os de Rutala (1993) e Zanon (1987), comprovam que a presença de matéria orgânica protege os microrganismos, tornando os processos subseqüentes ineficientes. O emprego da ação mecânica e de soluções adequadas aumenta a eficiência da limpeza. Se um artigo não for adequadamente limpo, isto dificultará os processos de desinfecção e de esterilização.

Tipos de autoclaves:  

Gravitacional - A injeção do vapor na câmara interna força a saída do ar frio por uma válvula localizada na sua parte inferior. Neste processo, pode ocorrer a formação de bolhas de ar no interior do pacote, o que impede a ocorrência da esterilização.

Pré-vácuo - Por meio da bomba de vácuo contida no equipamento, podendo ter um, três ou cinco ciclos pulsáteis, o ar é removido dos pacotes e da câmara interna, permitindo uma dispersão e penetração uniforme e mais rápida do vapor em todos os pacotes que contém a respectiva carga. Após a esterilização, a bomba a vácuo faz a sucção do vapor e da umidade interna da carga, tornando a secagem mais rápida e completando o ciclo.

Controles básicos do processo de esterilização podem ser realizados por meio das seguintes formas:

a) Controles químicos(ISO.11.140)  

Classe 1: indicador de processo – mostra se o material foi exposto ao processo de esterilização

Classe 2: indicador par uso em testes específicos – em situações relevantes ao equipamento de esterilização.

Classe 3: indicadores de UM parâmetro – monitora um dos parâmetros críticos do processo de esterilização.

Classe 4: indicadores de multi-parâmetros – monitora dois ou mais parâmetros críticos de processo de esterilização dependendo para quais foi calibrado.

Classe 5: indicadores integradores – monitora todos os parâmetros críticos do processo de esterilização.

Classe 6: indicadores de simulação – monitora todos os parâmetros críticos do processo de esterilização, não reagirá até que aproximadamente 95% do ciclo. 

b) Indicadores biológicos  

Indicadores de 1ª geração: tiras com esporos.

Indicadores de 2ª geração: autocontidos, necessitando ser incubado a 56ºC , sendo a 1ª leitura em 24h e a2ª leitura em 48 horas.

Indicadores de 3ª geração autocontidos, necessitando ser incubado a 56ºC, sendo a leitura realizada após 3h.

c) Qualificação térmica: é realizada com através de termopares, em ciclos consecutivos.

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CENTRO CIRÚRGICO (CC)

O CC é uma das unidades mais complexas do hospital, não só por sua especificidade, mas também por ser um local fechado que expõe o paciente e a equipe de saúde (médicos e a enfermagem) a situações estressantes (BRUNNER/SUDDARTH, 1992).

A equipe multiprofissional (médicos e a enfermagem) deve lidar com vários aspectos pertinentes à competência técnica, ao relacionamento e aos recursos materiais, além da interação com o paciente e sua família. Para esses, o medo do desconhecido e a ansiedade são fatores agravantes que contribuem para a complexidade do ambiente.

Recursos Humanos no CC

Os profissionais que atuam no Centro Cirúrgico são: as equipes médicas (cirúrgica e anestesiologia), de enfermagem, administrativa e de higiene, que têm como objetivo assistir adequadamente às necessidades do paciente. É de extrema importância que seus componentes atuem de forma harmônica e integrada para a segurança do paciente e a eficiência do ato cirúrgico. É importante ainda que as boas relações humanas e o profissionalismo sempre prevaleçam sobre as tensões, inevitáveis nesse tipo de trabalho.

Em uma equipe, todos os seus membros têm suas responsabilidades e funções definidas, assim como devem ser habilitados para as atividades que desempenham. As funções do enfermeiro coordenador, do enfermeiro assistencial, dos técnicos de enfermagem, dos auxiliares de enfermagem e auxiliares e dos auxiliares administrativos, estão descritas nas práticas recomendadas da SOBECC.

Para o enfermeiro ter condições de prestar assistência ao paciente na sala de cirurgia, como – monitorização, ações de segurança para evitar queda, auxiliar o anestesiologista durante a indução anestésica juntamente com a equipe cirúrgica, posicioná-lo na mesa de cirúrgica colocando os coxins para conforto, e outras ações especíificas –, é necessário que haja pelo menos um enfermeiro assistencial para cada quatro salas de cirurgia, além do enfermeiro gerente (coordenador) que é responsável pelas ações administrativas.

Marcação de cirurgia  

É uma atividade complexa que envolve a administração de materiais, instrumentais, equipamentos, tamanho de sala adequado ao procedimento, auxiliar ou técnico de enfermagem para prestar assistência durante a cirurgia e a dinâmica geral do programa cirúrgico e do setor. Por isso recomendamos que a marcação de cirurgia fique sob a supervisão direta do enfermeiro do CC.

Sistematização de Enfermagem Perioperatória (SAEP)

A Sistematização de Enfermagem Perioperatória (SAEP) deve ser realizada para todo paciente que for submetido a um procedimento anestésico-cirúrgico será avaliado pelo enfermeiro de Centro Cirúrgico com a aplicação da SAEP, que deverá ser desenvolvida dentro das regras do SAE, porém com um enfoque especifico ao paciente cirúrgico.

A SAEP é, sem dúvida, o alicerce que dá sustentação às ações de enfermagem no CC, atualmente além de criar maior interação na assistência de enfermagem no pré, trans e pós-operatório (Possari, 2003). Tal cuidado,foi bastante prejudicado na década de 60, quando a atuação do enfermeiro na assistência perioperatória era direcionada predominantemente para a área instrumental, para o atendimento às solicitações da equipe médica e para ações administrativas relacionadas ao desenvolvimento do ato anestésico-cirúrgico. Considerando essa história pregressa da assistência de enfermagem em CC e a complexidade das atividades administrativas que os enfermeiros exercem neste setor, porque são responsáveis pelo gerenciamento do mesmo, é possível entender a grande dificuldade que os enfermeiros perioperatórios têm de aplicar a SAEP. Sendo esta sua principal atividade direcionada a assistência no intra operatório e na recuperação anestésica.

A SAEP deve ser planejada pelos enfermeiros perioperatórios, com um instrumento adequado à realidade da instituição, para que realmente atenda a seus objetivos e não resulte em mais dificuldades para o desempenho das atividades do profissional.

Os principais objetivos da SAEP são:

•  Implantar a assistência de enfermagem integral, individualizada e documentada nas fases pré, trans e pós-operatórias;

•  Levantar e analisar as necessidades individuais do paciente a ser submetido ao procedimento anestésico-cirúrgico;

•  Ajudar o paciente e sua família a compreender seu problema de saúde, preparando-os para o procedimento cirúrgico;

•  Diminuir ao máximo os riscos inerentes ao ambiente cirúrgico;

•  Diminuir a inquietação e a ansiedade do paciente, contribuindo para sua recuperação.

 

Assistência básica ao paciente cirúrgico durante o período trans/intra-operatório.

•  Receber o paciente no CC, apresentar-se, verificar a pulseira de identificação e o prontuário;

•  Como condutas de segurança, confirmar informações sobre o jejum (a partir de que horário), as alergias, as doenças anteriores;

•  Encaminhar o paciente à sala de cirurgia;

•  Colocar o paciente na mesa cirúrgica de modo confortável e seguro;

•  Monitorizar o paciente e mantê-lo aquecido;

•  Auxiliar o anestesiologista durante a indução anestésica;

•  Auxiliar a equipe cirúrgica a posicionar o paciente para cirurgia;

•  Proteger a pele do paciente durante a anti-sepsia com produtos químicos,

•  Manter o paciente aquecido, com cobertor ou manta térmica (a manta térmica propicia um aquecimento controlado e mais eficaz);

•  Colocar o massageador e/ou meia elástica nos membros inferiores, como profilático para Trombose venosa profunda (TVP);

•  Realizar o cateterismo vesical, quando necessário;

•  Registrar todos os cuidados de enfermagem prestados diretamente ao paciente e a evolução;

•  Preservar a segurança física e emocional do paciente;

•  Rever prescrição de enfermagem e alterando-a, se necessário;

•  Realizar prescrição de enfermagem para o pós operatório no final do procedimento.

•  Manter a família informada sobre o andamento da cirurgia.

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RECUPERAÇÃO ANESTÉSICA (RA)

Atualmente, a RA é o local destinado a receber o paciente no período do pós operatório imediato e ficará sob a observação e os cuidados constantes da equipe de enfermagem, até que haja a recuperação da consciência, estabilidade dos sinais vitais, prevenção das intercorrências se houver. Durante essa fase o anestesiologista é o médico responsável pela assistência do paciente, sendo sua alta ação exclusiva do mesmo.  

Recursos Humanos no RA

A assistência prestada ao paciente na RA requer cuidados constantes porque está é numa fase delicada do pós-operatório, necessitando de uma monitorização constante e controle de sua evolução.

A equipe deve ser treinada e habilitada para prestar cuidados de alta complexidade e individualizados ao paciente no período pós-operatório imediato, assegurando a prevenção de riscos e complicações decorrentes do ato anestésico-cirúrgico.

Por isso a equipe de enfermagem deve ser composta por enfermeiro e técnico de enfermagem, mesmo que haja um único paciente.

As funções do enfermeiro assistencial, dos técnicos de enfermagem e dos auxiliares administrativos, estão descritas nas práticas recomendadas da SOBECC.

Algumas das funções da equipe de enfermagem:

•  Receber as informações de como transcorreu o ato anestésico-cirurgico do técnico ou auxiliar de enfermagem edo onjunto com o anestesiologista;

•  Fazer exame físico dos pacientes na admissão e na alta da recuperação anestésica;

•  Elaborar o plano de cuidados, supervisionar sua execução e realizar os cuidados complexos de Enfermagem com a utilização da Sistematização da Assistência Perioperatória de Enfermagem, desde admissão até a alta do paciente na RA;

•  Prestar o cuidado de Enfermagem ao paciente, conforme planejamento;

•  Aplicar o índice de Aldrete e Kroulik, para a avaliar as condições do paciente ao longo de sua permanência;

•  Avaliar e registrar a evolução clínica do paciente em recuperação anestésica;

•  Avaliar e registrar as condições clínicas de alta do paciente e encaminhar à unidade de origem com segurança;

•  Realizar e registrar a avaliação pós-operatória da assistência prestada;

•  Participar de estudos e pesquisas como colaborador ou como pesquisador responsável;

•  Identificar, quantitativa e qualitativamente, a necessidade de materiais e equipamentos, observando e fazendo observar seus princípios de conservação;

•  Informar ao coordenador as ocorrências relacionadas aos pacientes e ao pessoal auxiliar sob sua responsabilidade;

•  Colaborar com o enfermeiro-coordenador na elaboração de escalas de folgas e férias;

•  Elaborar e supervisionar a confecção de escalas mensais, semanais e diárias de trabalho;

•  Controlar os entorpecentes quanto ao uso nos pacientes da unidade e solicitação de reposição;

•  Participar da educação de pacientes e familiares;

•  Informar e orientar os familiares sobre as condições clínicas dos pacientes sob sua responsabilidade;

•  Realizar a educação continuada e a capacitação do pes­soal auxiliar;

•  Ser responsável pelo dimensionamento do seu grupo de trabalho, conforme as necessidades da unidade e o grau de dependência dos pacientes (crianças, idosos, etc);

•  Prestar parecer técnico sobre equipamentos e materiais junto com o enfermeiro-coordenador da unidade de Centro Cirúrgico.

Para avaliação das condições de alta é comum o uso do índice de Aldrete & Kroulik, sendo que o escore para alta intra-hospitalar é de 8 a 10.

Índice Aldrete & Krolik

Obs.: A alta do paciente que está recuperação anestésica é privativa do anestesiologista.

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