Instrumento presonalizado para enfermeiros de SRPA

Modelo foi elaborado para avaliar riscos de complicações no pós operatório, com fácil classificação e indicação da intervenções.

 

Segundo as Diretrizes Práticas em Enfermagem Cirúrgica e Processamento de Produtos para a Saúde, da SOBECC Nacional, “Autores destacam a importância de prevenir as ocorrências de complicações em Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), muitas das quais podem ser evitadas pela detecção precoce de sinais e sintomas com uma monitorização adequada. Para avaliar as condições dos pacientes com foco na prevenção de possíveis complicações no pós-operatório imediato, é recomendado realizar o exame físico no paciente no momento da sua admissão na SRPA”.

Ao longo de sua atuação como enfermeira de SRPA, na qual recebia pacientes que necessitavam cada vez mais de cuidados de alta complexidade, a enfermeira Mestre Mariângela Belmonte Ribeiro, ficou motivada em construir uma nova escala para avaliar os riscos de complicações na SRPA, com propostas de intervenções de Enfermagem, e que esse instrumento fosse de fácil utilização e mais eficaz para a equipe de enfermeiros, sendo essa a investigação da sua dissertação de mestrado em 2015. SOBECC: Por que desenvolver um novo instrumento de avaliação de riscos e complicações na SRPA?

 Mariângela Belmonte Ribeiro: É responsabilidade dos enfermeiros de SRPA receber os pacientes e conhecer o seu histórico e, assim, traçar um plano de cuidado. Para isso, alguns instrumentos de avaliação são disponíveis, como as escalas para a avaliação da dor e a escala de Aldrete e Kroulik, que menciona parâmetros fisiológicos relacionados com escores, por índices pré-estabelecidos.

Escalas estão voltadas ao modelo biomédico e não há nenhuma específica que atenda as necessidades dos cuidados de Enfermagem.

para avaliar a evolução de alta do paciente, segundo: atividade, respiração, circulação, consciência e saturação, sendo as mais utilizadas. No entanto, todas essas escalas estão voltadas ao modelo biomédico e não há nenhuma específica que atenda as necessidades dos cuidados de Enfermagem. Atuando por anos na SRPA, observei a escassez de trabalhos publicados referentes à área, com enfoque na segurança do paciente. Avaliei, então, que existe uma lacuna em relação à existência de um instrumento mais aperfeiçoado para a Enfermagem avaliar os riscos de complicações desenvolvidas nos pacientes, no pós-operatório imediato.

SOBECC: Como chegou ao desenvolvimento do novo instrumento?

Mariângela: Para propor um novo instrumento para avaliar riscos de complicações com sugestões de intervenções de Enfermagem foi realizada uma revisão integrativa na literatura, a fim de identificar as principais complicações na SRPA. De acordo com o levantamento feito, as principais complicações na SRPA encontradas foram: pulmonares, respiratórias e cardiovasculares, somando a dor. Reuni e sintetizei resultados baseados em evidências científicas. Os levantamentos bibliográficos foram feitos em periódicos internacionais e nacionais, publicados entre 2004 e 2014. Exclui artigos que não apresentavam resumo ou que não foram disponibilizados na íntegra, e também pesquisas de complicações com crianças. Revisei e coletei dados, os mais relevantes descritos em cada artigo, relacionados às complicações e seus riscos. Esses dados foram submetidos à avaliação e aplicação de análises estatísticas, servindo de base para formulação de um questionário. Foram encontradas 14 complicações possíveis de acontecer e os fatores de risco referentes a cada uma delas

SOBECC: Quais são as 14 complicações encontradas?

Mariângela: As complicações mais frequentes encontradas nos estudos são: hipotermia, hipoxemia, edema pulmonar, apneia, tremores, náuseas e vômitos, retenção urinária, alterações do ritmo cardíaco, hipertensão arterial sistêmica, hipotensão, obstrução e depressão respiratória, sangramento, dor e posicionamento cirúrgico. Os riscos identificados em cada complicação foram transformados em perguntas simples, para respostas sim ou não. A soma das respostas positivas, valendo um ponto cada, foram somadas  e classificadas para a complicação em: baixo, médio e alto risco. Com base nisso, foi elaborada a escala de cores para cada complicação e as intervenções sugeridas baseadas nas “Práticas Recomendadas da SOBECC e em NOC NIC em NANDA” (ver ilustração na p. 20). SOBECC: Como avalia o novo instrumento?

Mariângela: O novo instrumento ainda não está em uso. O próximo passo será a sua validação. Acredito que será uma potente ferramenta para o enfermeiro de SRPA identificar os riscos e as complicações precocemente e mais assertivamente, podendo iniciar as intervenções de Enfermagem de forma mais segura.

Mariângela Belmonte Ribeiro

Mestre em Enfermagem pelo Centro Universitário São Camilo,

Especialista em Centro Cirúrgico e Recuperação Anestésica pela

Universidade de São Paulo (USP)

Atua no CME do Hospital Moriah – São Paulo.

E-mail: mauribe@terra.com.br

 



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